“Sou mestre na arte de falar em silêncio.
Toda a minha vida falei calando-me
e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra…” (Fiódor Dostoiévski)
"Em quantas mentiras se faz um crime de amor? Com quantas máscaras se esconde o vilão? O bandido subestimou a joia enquanto tentava roubar outras peças. Crime perfeito, ficha limpa, corações roubados, sentimentos disfarçados. O crime que compensa e a mentira com perna-de-pau. A joia perdeu-se em dedos inimigos. E o bandido, preso em flagrante, sem retrato falado, sem arma, ensaia prévia defesa. Encarcerado pelo ódio, nas grades de lágrimas. Prisão perpétua e sumária." - Cinzentos.
"Caro amigo, é com lágrimas lúgubres que escrevo esta carta. Quiçá não compreendas, porém a morte me aguarda no fim do quarteirão na ponta direita da rua. Um narrador defunto? Deva-se a pergunta, logo eu mesmo lhe responda: Talvez a morte, de muitas vezes já apareceu ao meu encontro, hoje a vejo como uma amiga, cuja liberdade da conversa é boa, e eu não a de negar, o silencio é bom. Deve ser assim a morte: o silencio. Talvez interprete mal a palavra cuja me intrometo a usar, digo; o silencio em seus aspectos é um bom companheiro para pensar, usufruir um bom livro… E cá meu caro, em lembrar de livro, lembrei-me daquele seu livro cuja mostrou-me no ônibus, não lembro o nome, tampouco o que se referia. Se não me engano era um livro de auto-ajuda ou algo filosófico na qual lhe tirou aquele interesse de lê-lo. Achei interessante a sua motivação, de querer usufruir do gozo que lhe trazia ao ler cada palavra, que mesmo tão curtas elas, trazia um significado que tornava-o único. Livros são bons, e se caso exista alguém que discorde da minha afirmação, por favor, prove-me o contrário. É que está tudo desabando meu caro amigo, as pessoas precisam de uma pequena dose de realismo para enxergarem o que estão transformando este país. Cadê os leitores? Onde estão as pessoas nas feiras de livros e nas bibliotecas? Enquanto mais o tempo passa, são menos as pessoas que param um pouco do tempo para poderem pegar um livro e fazer este país andar mais um pouco pra frente, entretanto, são poucos os ouvidos que escutam as palavras. Por isso e outros motivos que prefiro o silencio, as pessoas escutam. Porém, um pouco de barulho é sempre bom na nossa vida; logo desperdicei minha vida toda no silencio, na calma, na paciência… E é assim que eu parto, com a curiosidade de poder ver as modificações literários que um futuro distante poderá trazer. Quiçá eu vá ao encontro, cuja igreja dá nome de reino dos céus, onde as almas descansam em paz. Porém prefiro acreditar que seja levado em um lugar onde ninguém, jamais pensou que existissem, um lugar diferente, que escritor nenhum conseguiu imaginar em descrever tal lugar. E assim eu vou meu amigo, e por favor, não chore, não desperdices tuas lágrimas com as palavras que mal sei deduzir, nos encontraremos futuramente, eu sei disso, estarei a lhe esperar sorrindo, seja lá onde eu estiver…" - Pedro Igor F. Carta para um amigo.
"A verdade é amor — escrevi um dia. Porque toda a relação com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na infância e não mais se pôde esquecer. É esse equilíbrio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho estão certos na composição de um quadro. É o mesmo equilíbrio indizível que ao filósofo impõe a verdade para a sua filosofia. Porque a filosofia é um excesso da arte. Ela acrescenta em razões ou explicações o que lhe impôs esse equilíbrio, resolvido noutros num poema, num quadro ou noutra forma de se ser artista. Assim o que exprime o nosso equilíbrio interior, gerado no impensável ou impensado de nós, é um sentimento estético, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em. razão ou mesmo em inteligência. Porque só se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se está “feito um para o outro”. Só entra em harmonia connosco o que o nosso equilíbrio consente. E só o consente, se o amar. Porque mesmo a verdade dos outros — a política, por exemplo — se temos improvavelmente de a reconhecer, reconhecemo-la talvez no ódio, que é a outra face do amor e se organiza ainda na sensibilidade." - Vergílio Ferreira, in “Pensar”.
"Mês passado me disseram que você já tem outra. Olha só, eu nunca fui de acreditar em boatos, normalmente as pessoas os inventam só com o intuito de nos deixarem mal. Só que eu já estou e pior do que já está acho que não tem como ficar. Tolos, não tiveram o que queriam. Já você teve, você sempre teve o que quis. Sempre procurei dar tudo o que podia e procurava lá no fundinho de mim o que não podia também… Semana retrasada me disseram que ela é loira, tem cabelos compridos, olhos verdes, seios fartos e pernas grossas. Mas veja só, como tu és mentiroso. Dizia sempre que gostava de tudo em mim e que se outra fosse diferente tu irias detestar. Meus cabelos eram compridos, agora não mais, pois numa das minhas crises resolvi cortar, pensei que o problema de outros rapazes não se apaixonarem por mim fosse meu cabelo. Está ridículo. Tanto quanto essa atitude. Meus olhos são negros, você os comparava com jabuticabas. Lembra, quando algumas tardes nós subíamos no pé para chupar algumas? Você tacava mais em mim do que comia, sempre foi assim, tão bobo. Seios fartos, bom, nunca os tive. Posso compará-los com a mesma fruta que compara os meus olhos, jabuticabas. Minhas pernas nunca foram grossas, sempre foram finas como gravetos, mas também, como seriam com os meus míseros 40 quilos? Agora devo pesar até menos; 38, 36 talvez. Não tenho me alimentado direito, não tenho forças nem pra levantar. Talvez seja porque era você que levava meu pão com queijo e presunto na chapa até a nossa cama todas as manhãs. Talvez seja porque eras tu quem me carregava no colo ao acordar… Semana passada fizeram questão de me contar que vocês tem planos, que vão se mudar, morarem juntos e talvez até se casar. Vai fazer o que com aquela aliança que comprou pra mim? Dar a ela? Pelo que te conheço é bem provável que sim. Ou não, se quer saber. Porque agora vejo que não te conheço mais. Só espero que quando olhe pra ela lembre-se de mim, que passe nem que seja por um segundo a imagem do meu rosto na tua mente. Quero que veja a novela com ela e lembre de nós dois comendo pipoca e zombando dos penteados das atrizes. Quero que vá tomar banho e se recorde da guerra de espuma que fazíamos na banheira. Quero que vá fazer arroz e o queime, e que ela tenha que fazer outro, mas que esse não será tão bom quanto o meu. Quero que ela te ame, quero que ela te ame muito, mas, entenda: O amor dela nunca vai ser nem a metade do que o que eu já senti por você! Quero que a mãe dela seja uma ótima sogra, mas a minha sempre teve o melhor café. Quero que acorde todas as manhãs com aquele sorriso bobo estampado no rosto, mas eu não serei mais o motivo de nenhum deles… Hoje me disseram que vocês se casaram, que a festa foi linda e que tinha de tudo. Que o vestido dela era deslumbrante, que você estava como um príncipe. A decoração, os doces e quitutes. Tudo a maior perfeição. E sabe, eu daria qualquer coisa pra estar lá, porque agora eu simplesmente não me importo mais." - Dois meses para esquecer alguém que pensei que talvez duraria mais. Muito mais. ~ Luana Rabello, regenerada.
"E eu te vi, sorria e sorria, mas lhe digo que todo o medo me sucumbia de jeito profundo, de jeito que não pude escapar. Sempre nos entreolhávamos, como alguém olha pra lua e pra estrelas. Naquele clima de festa junina, bandeiras, florzinhas, e alguns chicos. Os casais abraçados na fogueira, ou se não se esquentando a sós. Mas entre tantos sorrisos tive que lhe perguntar, se havia alguma coisa entre esses lábios - era de paste me preocupar com a rosa mais linda do mundo, é uma das coisas que o amor faz -. Peguei um chá, e dei um belo gole, e fui lhe chamar pra dançar. Me lembro que estava perto da fogueira, dando gargalhadas sem fim, não vi muita sinceridade naquele sorriso para ser humilde…Enfim lhe chamei, e comecei a ver fotos em tua volta, fotos que não havia vido desde de criança, quando tinha um sonho de ter amor infinito, fotos que me traziam calma, que lavavam as mágoas. Casa, bebidas, amigos, câmeras, chá, você. Era naquele rosto que eu lia meus sonhos, naquele sorriso eu me via me perdendo mais uma vez. Desde aqueles dias da infância, quando tive um sorriso traído pela ironia de “ir brincar fora”, quando lá fora, não era no meu mundo. Puro acaso, que toda vez entra na minha vida e muda tudo, sempre agradável, escolhas sinceras e que sempre me deixam confuso, mas que o vento vem logo o bota as ideias no lugar. E aqueles sentimentos rodavam mais que só a alma, eles vinham dominado meu corpo, se adaptando a ti. Meus gestos não eram de dança, eram de quem ama. Gestos que faziam você me acompanhar, que faziam eu me tornar aconchegante diante de ti, - estantes que me fizeram feliz - e se no fundo dos meus olhos, se você olha-se ali, veria nós veria um desejo. E naquele clima cultivei flores, que não haveria um “bem me quer”, haveria um “te quero muito, por isso lhe dou ela”. E assim comecei a perguntar, se todos aqueles sorrisos saiam com vontade ou com desprezo, se não, haveria uma mão para lhe dar, haveria um te amo entalado na garganta, haveria um coração com uma vela acessa, que resistirá as tempestades do tempo - claro que não disse isso, meus olhos que me deduravam…- Ela disse que eu estava louco, e que não estava acontecendo nada. Estava bem, ótima. Naquele estante não tive como ocultar minha vontade de rir. E ri. Estava mentindo, mas tão, tão…Tão. Quando comecei a rir, ela se desbrochou, senti que havia atravessado uma barreira, parecia que tinha conseguido passar do portão, quem sabe aquele era o caminho para o coração. Comecei a insistir pra algo sai-se dali, alguma frase sincera, alguma frase que mostra-se que havia avançado o portão, um sinal que estive-se entrando. Ela disse que haviam algumas coisas que lhe incomodavam. Comecei a trazê-la para um lado da festa, um lugar perfeito, agradeci ao acaso depois por ele. Trazendo-a com delicadeza, girando, para debaixo de uma árvore, que no caminho haviam folhas secas. Imagine-a, rodando, rodando, rodando, e folhas secas em seus pés. A perfeição do momento. A musica avia se tornado de fundo, as pessoas haviam se tornado enfeites. A árvore era perfeita. Não sei se é pura ilusão do amor, mas o mundo virou. A árvore parecia um relicário de almas cravas pela felicidade, coração se uniram ali, dava pra sentir quando pisamos nas folhas. Desejei que aquele sentimento não passa-se de ser um sonho. Estava dançando com ela, se não era um sonho, estava nas nuvens. E comecei a perguntar, sobre o que era problemas, e qual seriam as soluções. Comecei a pensar que rosas seriam as soluções de todos os problemas dela. Rosas no quarto, na cozinha, e uma com meu nome no coração. Comecei a pensar que era um garotinho, sozinho, cansado de jogar vídeo-game, tentando conquistar algo maior, como um caminho de rolimã. Ela disse que eram problemas de rotina. Rosas eram perfeitas pra isso. Disse que estava enjoada. Lhe mostraria como tomar chá, esqueceria na hora. Disse também que fazia tempo que ninguém surpreendia-a a tempos….O poderia fazer agora, declarar tudo que pensava, criar uma sensação de Capitu e Bentinho, Dom Casmurro agora iria narrar minha história. Pedi a deus agora, que lá fora a rua se torna-se vazia a nós. Peguei umas folhas secas, fiz um coroa, que combinava esplendidamente com o vestido dela. Ela meio que se assustou com meu ato. A coroa não serviu muito bem, meio que cobria olhos olhos dela, não me preocupei com isso. Quando havia colocado a coroa, e quando havia sobreposto o olho dela, era riu. Foi o sorriso sincero e perfeito da noite, foi e canto da boca, nada exagerado, nem muito leve. Algo sútil. Fiquei feliz, foi o primeiro sorriso sincero da noite, deu pra sentir. Ela não precisava ver minha cara de bobalhão me declarando. Ela só ouvia. Só me ouvia. Estava começando a surgir as estrelas, a lua irradiava glória. Comecei a me declarar, tudo que havia pensando, tudo que você leu…Agora ela sabia. Fui me guiando, por folhas, seguindo a sombra da lua enquanto me declarava, e girava entorna dela. Desejei que todo amor que tive-se naquela vida, e algumas coisas pra garantir o bem-estar dela. Terminei. Havia criado uma melodia, entorno da lua, das folhas, entorno do som da noite. Esse tempo todo criando figuras e figuras pra ela imaginar o quanto eu a amava. Que eu vivia amando-a. Percebi que, as folhas não aguentaram muito tempo, depois que um lágrima tocou nela. A coroa se desmanchou. Aquele olhar, aquele reflexo de mim nos olhos dela, aquele cabelo, aquele jeito, eu nuca tinha visto. Ela me beijou, segurou no meu rosto, e me beijou. Seus lábios quentes, haviam tocados os meus. Eu sorri. Sendo beijado. Consegui mais que um carrinho de rolimã, mais do que um vídeo-game, consegui passar a porta, a janela, as cortinas, as persianas, os brindes de família, os sonhos recortados da revista, quebrei todas as barreiras, e cheguei aonde ? onde encontrava seu coração, onde o ritmo da musica me fez dançar, fez meu coração se sentir em casa, se sentir em seu lugar. “Hum dap dararah oh” não sou bom em onomatopeias, mais era esse o refrão que ele cantava, junto ao violão. Não sei quem, não sei aonde, sei que toda minha felicidade se resumia a um beijo, quente, doce, sincero, um beijo que foi tocado por uma lágrima, e que não afetou a sensação de felicidade, era uma lágrima doce, como digo “lágrimas de felicidade caem doce na alma”, havia aquilo ali, havia musica, havia eu, havia ela. o mais essencial de tudo. Você está certo. O amor é brega. Eu era o cara mais brega do mundo, acompanhado pela mais linda dele. Não tinha motivo para acabar aquele momento, as estrelas haviam chegado na gente, haviam caído do céu, aquele momento, lhe garanto. Foi o mais longo da minha vida." - Não quero saber de erros neste texto, se são grosseiros, ocultos, tanto faz. Ele é verdadeira, compõe a melodia de minhas obras agora. Marcos Rodrigues in El amor hace que todo se vea como.
"Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci." - (Chico Buarque)
"Eu gosto de carinho violento. De falar. De estar certa. De quem entende o que eu digo. De quem escuta o que eu penso. Da minha prole. Dos meus discos. Dos meus livros. Dos meus cachorros. Dos Stones. Do Rock Natural. Da minha solidãozinha. Dos meus blues. Do meu sofá vermelho. Da minha casa. Do meu umbigo. De unhas cor de carmim. De homem que sabe ser homem. De noites em claro e dias em branco. De chuva e de sol. Eu guardo as minhas rejeições em vidrinhos rotulados com o nome deles. Eu sou mole demais por dentro pra deixar todo mundo ver. Eu deixo pra quem eu acho que pode comigo. Ninguém sabe. Mas eu tenho coração de moça." - Fernanda Young.
"Bem – me - quer, mal – me - quer, bem – me - quer, mal – me – quer, bem – me - quer, mal – me - quer, bem – me - quer, mal – me – quer! mal – me – quer? – dessa vez não ta valendo. (arranca outra flor de sei lá o quê) Bem – me - quer, mal – me - quer, bem – me - quer, mal – me – quer, bem – me - quer, mal – me - quer, bem – me - quer, mal – me – quer, bem – me – quer! – Ele me ama – Gritou e suspirou. Sorriu um sorriso daqueles que se dá quando a alma também sorri. Sorriu por dentro e por fora." - Thaís Beijamim.
"Eu nunca fiquei solitário. Já estive numa sala – Já me senti suicida. Já fiquei deprimido. Já estive muito mal – pior que tudo – mas nunca pensei que uma pessoa poderia entrar naquela sala e curar tudo que estava me incomodando… ou que qualquer número de pessoas poderiam entrar naquela sala. Em outras palavras, a solidão é algo que nunca me chateou por que eu sempre tive essa terrível vontade, esse quê que me fazia estar só sempre. É estando numa festa ou num estádio lotado de pessoas torcendo para algo que eu posso sentir a solidão. Vou citar Ibsen: “Os homens mais fortes são os mais solitários”. Eu nunca pensei “Bom, alguma loira linda vai entrar aqui e foder comigo, acariciar minhas bolas, e eu vou me sentir bem”. Não, isso não irá ajudar. Você conhece a típica multidão que diz “Uau, é sexta à noite, o que você irá fazer? Só ficar aí sentado?” Bem, sim. Por que não há nada lá fora. É estupidez. Pessoas estúpidas se misturando com pessoas estúpidas. Deixem elas se tornarem cada vez mais estúpidas. Eu nunca fiquei incomodado com a ansiedade e a pressa de sair pela noite a fora. Eu me escondia em bares por que não queria me esconder em fábricas. Isso é tudo. Sinto pelos milhões, mas eu nunca me senti solitário. Eu gosto de mim mesmo. Eu sou a melhor forma de entretenimento que eu tenho." - Charles Bukowski.
"A vida da gente é a coisa mais bonita que existe. Mesmo que nem sempre seja doce. Mesmo que nem sempre tenha cor. Mesmo porque quem dá o sabor e o tom somos nós mesmos. Diariamente." - Clarissa Corrêa.